{"id":3600,"date":"2024-07-12T13:49:00","date_gmt":"2024-07-12T13:49:00","guid":{"rendered":"https:\/\/digitalearthafrica.org\/?p=3600"},"modified":"2025-04-15T13:51:19","modified_gmt":"2025-04-15T13:51:19","slug":"geospatial-technologies-to-inform-agricultural-production-in-rwanda","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/digitalearthafrica.org\/pt\/geospatial-technologies-to-inform-agricultural-production-in-rwanda\/","title":{"rendered":"Tecnologias geoespaciais para informar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola no Ruanda"},"content":{"rendered":"<p>O Ruanda, \u00e0 semelhan\u00e7a de muitos outros pa\u00edses da \u00c1frica Subsariana, tem vindo a registar irregularidades na precipita\u00e7\u00e3o e na temperatura, que resultam em secas prolongadas, inunda\u00e7\u00f5es e deslizamentos de terras, com um impacto negativo nos sistemas agr\u00edcolas e na produ\u00e7\u00e3o alimentar. Uma vez que a agricultura \u00e9 a espinha dorsal da economia do Ruanda - proporcionando meios de subsist\u00eancia a mais de 70% da popula\u00e7\u00e3o e contribuindo para cerca de 33% do PIB do pa\u00eds - esta situa\u00e7\u00e3o representa uma amea\u00e7a significativa para a seguran\u00e7a alimentar e o bem-estar socioecon\u00f3mico da popula\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>As tecnologias geoespaciais emergentes que facilitam o acesso a imagens dispon\u00edveis gratuitamente e a plataformas baseadas na nuvem para a sua an\u00e1lise - como a Digital Earth Africa - s\u00e3o fundamentais para informar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola em condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas vari\u00e1veis. Em particular, estas tecnologias permitem a monitoriza\u00e7\u00e3o frequente de grandes \u00e1reas, evitando inqu\u00e9ritos de campo dispendiosos e outras interven\u00e7\u00f5es que consomem muitos recursos.<\/p>\n\n\n\n<p>Joel Ndayisaba, um licenciado em Planeamento Urbano e Regional da Universidade do Ruanda, Faculdade de Ci\u00eancias e Tecnologia (UR-CST), realizou recentemente uma investiga\u00e7\u00e3o para avaliar o impacto das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas nos pequenos agricultores rurais do Ruanda, a fim de informar estrat\u00e9gias eficazes de adapta\u00e7\u00e3o e mitiga\u00e7\u00e3o. Os impactos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e da variabilidade na produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola t\u00eam sido notoriamente maiores nas zonas rurais do Ruanda, onde os pequenos agricultores dependem principalmente da agricultura de sequeiro para a sua subsist\u00eancia. A altera\u00e7\u00e3o dos padr\u00f5es clim\u00e1ticos conduziu a quebras de colheitas, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o alimentar, ao aumento da pobreza e \u00e0 inseguran\u00e7a alimentar.<\/p>\n\n\n\n<p>Como ponto de partida, foi efectuada uma revis\u00e3o da literatura para desenvolver a an\u00e1lise do problema, incorporando relat\u00f3rios de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. Estas inclu\u00edam o Minist\u00e9rio da Agricultura e dos Recursos Animais (<a href=\"https:\/\/www.minagri.gov.rw\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">MINAGRI<\/a>), o Conselho de Agricultura do Ruanda (<a href=\"https:\/\/www.rab.gov.rw\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">RAB<\/a>), o Instituto Nacional de Estat\u00edstica do Ruanda (<a href=\"https:\/\/www.statistics.gov.rw\/datasource\/fifth-population-and-housing-census-2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NISR<\/a>) e a Universidade do Ruanda (<a href=\"https:\/\/ur.ac.rw\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">UR<\/a>).<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Dados espaciais para informar a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola num clima em mudan\u00e7a<\/h3>\n\n\n\n<p>Do ponto de vista da an\u00e1lise geoespacial, o \u00cdndice de Vegeta\u00e7\u00e3o por Diferen\u00e7a Normalizada (NDVI) foi selecionado como indicador do estado das culturas, derivado de&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.digitalearthafrica.org\/platform-resources\/analysis-ready-data\/landsat\">Imagens Landsat<\/a>&nbsp;que s\u00e3o de livre acesso atrav\u00e9s do&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.digitalearthafrica.org\/platform-resources\/platform\">Plataformas DE \u00c1frica<\/a>. Estes foram combinados com dados clim\u00e1ticos para compreender o efeito dos factores clim\u00e1ticos na sa\u00fade e fenologia das culturas no sector de Rwimbogo, na prov\u00edncia oriental do Ruanda, propensa \u00e0 seca.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Em geral, a regi\u00e3o \u00e9 caracterizada pela escassez de precipita\u00e7\u00e3o, especialmente na segunda (janeiro-mar\u00e7o) e quarta (junho-agosto) esta\u00e7\u00f5es. Para as culturas de sequeiro, a tend\u00eancia do NDVI aumentou na primeira (setembro-dezembro) e na terceira (mar\u00e7o-maio) esta\u00e7\u00f5es, embora se tenha registado uma ligeira diferen\u00e7a entre 2012 e 2022. A an\u00e1lise da climatologia NDVI, da distribui\u00e7\u00e3o da precipita\u00e7\u00e3o, da climatologia NDVI do desvio-padr\u00e3o da parcela e da fenologia da parcela por pixel sublinha os desafios prementes da din\u00e2mica do rendimento das culturas induzida pelas altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas na regi\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Torna-se imperativo um esfor\u00e7o concertado de mitiga\u00e7\u00e3o e adapta\u00e7\u00e3o para enfrentar eficazmente estas adversidades agr\u00edcolas no sector de Rwimbogo. As pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de gest\u00e3o dos solos, como a agrossilvicultura e a agricultura de conserva\u00e7\u00e3o, oferecem uma via de atenua\u00e7\u00e3o, melhorando a reten\u00e7\u00e3o da humidade do solo e travando a eros\u00e3o. Al\u00e9m disso, a ado\u00e7\u00e3o de variedades de culturas resistentes \u00e0 seca e a diversifica\u00e7\u00e3o das culturas podem refor\u00e7ar a resist\u00eancia \u00e0 variabilidade clim\u00e1tica, melhorando, em \u00faltima an\u00e1lise, a seguran\u00e7a alimentar a longo prazo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"794\" height=\"817\" src=\"https:\/\/digitalearthafrica.org\/wp-content\/uploads\/Screenshot-133.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-3603\" srcset=\"https:\/\/digitalearthafrica.org\/wp-content\/uploads\/Screenshot-133.png 794w, https:\/\/digitalearthafrica.org\/wp-content\/uploads\/Screenshot-133-768x790.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 794px) 100vw, 794px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Pr\u00f3ximas etapas<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo atual baseou-se nos conjuntos de dados adquiridos remotamente, pelo que o pr\u00f3ximo passo consistir\u00e1 na valida\u00e7\u00e3o no terreno atrav\u00e9s de dados sobre a extens\u00e3o, sa\u00fade e rendimento das culturas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A divulga\u00e7\u00e3o dos resultados, que consiste na an\u00e1lise exaustiva das tend\u00eancias clim\u00e1ticas e dos efeitos relacionados com a sa\u00fade e o rendimento das culturas, ser\u00e1 seguida do envolvimento das partes interessadas (comunidades locais, ag\u00eancias governamentais, institui\u00e7\u00f5es de investiga\u00e7\u00e3o e organiza\u00e7\u00f5es n\u00e3o governamentais) para facilitar a implementa\u00e7\u00e3o das medidas\/estrat\u00e9gias propostas com vista a um futuro agr\u00edcola mais resiliente e sustent\u00e1vel face \u00e0s condi\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas em mudan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Conclus\u00e3o<\/h3>\n\n\n\n<p>O desafio de garantir a seguran\u00e7a alimentar das popula\u00e7\u00f5es continua a ser um desafio devido \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas e \u00e0 variabilidade sazonal. Atrav\u00e9s da Estrat\u00e9gia Nacional para a Transforma\u00e7\u00e3o (NST1) e da Vis\u00e3o 2050, o governo ruand\u00eas pretende garantir a seguran\u00e7a alimentar da popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pido crescimento, minimizando simultaneamente os impactos adversos das altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Isto est\u00e1 em conson\u00e2ncia com iniciativas globais como o Objetivo de Desenvolvimento Sustent\u00e1vel (<a href=\"https:\/\/sdgs.un.org\/goals\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ODS)<\/a>&nbsp;1-N\u00e3o \u00e0 pobreza, 2- Fome zero e 13-A\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Esta investiga\u00e7\u00e3o alinha-se bem com o esp\u00edrito e as inten\u00e7\u00f5es da NSTI e da Vis\u00e3o 2050, e demonstra que a combina\u00e7\u00e3o de tecnologias geoespaciais emergentes, especialmente plataformas gratuitas e de c\u00f3digo aberto e trabalhos de campo menos intensivos, \u00e9 fundamental para uma agricultura de sequeiro informada na \u00e1rea de estudo e noutros locais do pa\u00eds. Al\u00e9m disso, a colabora\u00e7\u00e3o e a partilha de dados entre as principais partes interessadas aumentaria a precis\u00e3o dos resultados, promovendo simultaneamente a utiliza\u00e7\u00e3o eficiente dos recursos investidos na aquisi\u00e7\u00e3o, armazenamento e processamento de dados no terreno.<\/p>\n\n\n\n<p>Em \u00faltima an\u00e1lise, os resultados de investiga\u00e7\u00f5es como estas podem informar, na pr\u00e1tica, estrat\u00e9gias para aumentar a resili\u00eancia e a sustentabilidade do sector agr\u00edcola do Ruanda em resposta \u00e0s altera\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Sobre o autor<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"148\" height=\"149\" src=\"https:\/\/digitalearthafrica.org\/wp-content\/uploads\/Picture5.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-3602\"\/><\/figure>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.digitalearthafrica.org\/sites\/default\/files\/inline-images\/Picture5.jpg\"><\/a>Joel Ndayisaba est\u00e1 familiarizado com as tecnologias emergentes, particularmente na an\u00e1lise geoespacial, incluindo GIS e dete\u00e7\u00e3o remota, com diversas compet\u00eancias numa variedade de software e plataformas, que incluem o conjunto de produtos Esri para computador e online.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 proficiente em plataformas como Digital Earth Africa, Google Earth Engine, GitHub e apaixonado pela investiga\u00e7\u00e3o, Joel utilizou estas plataformas em v\u00e1rios t\u00f3picos de investiga\u00e7\u00e3o, incluindo apresenta\u00e7\u00f5es na&nbsp;<a href=\"https:\/\/gorilla.mak.ac.ug\/about\/conference-schedule\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Confer\u00eancia GORILLA<\/a>&nbsp;e&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.ibmaconference.org\/program\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IBMA<\/a>.<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Rwanda, similar to many other countries in sub-Saharan Africa, has been experiencing irregularities in rainfall and temperature, resulting in prolonged droughts, flooding events, and landslides, adversely impacting farming systems and food production. 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